Amizades e política, uma questão de caráter

Resolvi enfrentar essa questão “você termina amizades por causa da política”? Essa pergunta tem sido feita frequentemente no Brasil.

Isso, ao que parece, surge depois que as redes sociais se popularizaram e a gente passou a poder, com alguns cliques, deixar de seguir, bloquear, eliminar, manter distância, de “amigos” (e, principalmente, parentes), cujos posts, compartilhamentos e posições sejam contrários ao que a gente pensa, acredita e quer ler, ver ou ouvir.

E gente que foi bloqueada, xingada ou preterida, acaba perguntando se é justo que tal coisa ocorra “apenas” por causa de opiniões políticas divergentes.

De fato, é preciso respeitar as diversas crenças, opiniões, modos de encarar a vida, mesmo os muito variados estilos de vida, preferências e fetiches.

Mas, cá entre nós, tem uma coisa que eu não consigo relevar, perdoar, assimilar ou aceitar como passível de uma convivência plural e tolerante: a falta de caráter. Caráter no sentido de índole, gênio, dignidade.

“AIN, MAS ELE FAZ ALGUMA COISAS BOAS”

Tentarei deixar muito claro o que penso. Digamos que o tosco® que vocês elegeram para a presidência, conseguisse fazer algumas coisas boas. Que alguma das propostas dele não fosse apenas de desmanche, destruição e aniquilação, mas tivesse um conteúdo aceitável por quem espera que a humanidade evolua e pare de regredir. Pois bem, mesmo assim, eu seria “do contra”, um adversário, um crítico, um murrinha.

O problema do tosco®, para mim, não é só a falta de programa, de projetos, de ações efetivas. É o caráter. Desse tipo de criatura não quero nada, exceto distância. Não reclamo dele porque ele só diz bobagem e faz besteira. Reclamo dele por ele ser quem é. Um ser desprezível, sem empatia, sem caráter, cujo maior interesse é o ódio e a morte.

Não existe nada, nada, nada nesse mundo que uma criatura como essa faça, que possa me fazer ter, por ele e por sua laia, alguma simpatia. Não se trata de política, de preferência partidária, de simpatia ou antipatia: o sujeito não se enquadra naquilo que aprendi ser civilizado. É uma pústula que tenta se disfarçar de político, mas de político não tem nada.

“AIN, MAS TERMINAS AMIZADES POR CAUSA DE POLÍTICA?”

Claro que não. Tenho amigos comunistas, tenho amigos do PT, tenho amigos católicos, tenho amigos evangélicos, tenho até amigos a quem critico publicamente por terem opiniões políticas das quais divirjo. A política é a arte da conversa, da discussão, do debate, do bate-boca (que é muito saudável, apesar de certa imprensa ter meio que demonizado essa troca de ideias acalorada). Converso com meu amigo Aloízio Amorim, que é conservador e direitista até a medula, que defende tudo o que eu abomino. Mas é coerente. Foi um dos primeiros a expor, nas redes sociais, sua posição, isso quando ainda era moda puxar o saco do PT e incensar os lulistas. Bato boca com ele no seu QG (o shopping Beiramar), mas não sou seu inimigo.

Agora, tem uma turma que nunca se preocupou com política, não tem a menor ideia da história política do país, mas se abraçou ao tosco® e sua família e, da campanha pra cá, resolveu que eles são o que há. E defendem a falta de caráter, a desonestidade, a corrupção (mesmo dizendo combater a corrupção dos governos anteriores), como se a famiglia fosse imaculada e enviada pelos deuses para salvar a pátria amada. Do quê? Ah, do comunismo, que eles não têm ideia do que seja, nem do que representa, papagaios que repetem o que lhes mandam.

Essa gente não merece atenção. São capachos cegos e surdos de um esquema que não entendem e para cuja gravidade não atentam. A quadrilha que se apossou do poder, no Brasil, não tem caráter, nem projeto para o país. Fazer parte do esquema é ruim, mas apoiá-lo e seguí-lo acriticamente é ainda pior.

“MAS ERA PRECISO FAZER ALGUMA COISA!”

“Ain, mas eles querem melhorar a educação, acabar com a pouca vergonha que são nossas universidades”. Que coisa mais canalha! Primeiro, não querem melhorar nada. Querem cancelar, deletar, acabar, fechar, reduzir, extinguir, sem o compromisso básico de colocar alguma outra coisa no lugar. Diga aí, qual é a proposta desse “governo” para substituir as universidades como auxiliares importantes na pesquisa e desenvolvimento da indústria nacional?

Claro, isso de “indústria nacional” não está nos planos da corja “nacionalista” que assumiu o poder. Criar patentes, desenvolver inovações, aperfeiçoar soluções não pode ser coisa que a colônia faça. Eles assumiram, entre outras tarefas, para retirar do Brasil essa possibilidade de ser uma nação independente em termos de pesquisa e desenvolvimento.

E se dizem “nacionalistas” e enchem a boca para falar em “soberania”. Caralho! (perdão pelo calão). Um Estado soberano não entrega suas riquezas a potências estrangeiras. Um Estado soberano tenta colocar-se, diante do mundo, como uma entidade que deve ser respeitada e que não pode ser invadida por quem lhe dê contas coloridas de vidro e alguns espelhinhos. O petróleo já foi, os minérios da Amazônia estão em vias de serem leiloados, o sinistro do “Meio Ambiente” reune-se, em segredo, com os maiores predadores internacionais, imagino, para garantir que aqui não terão obstáculos. Prostitutas baratas, trocam por centavos o que os compradores tratarão de revender por milhões.

NÃO QUERO “AMIZADE” COM ESSA GENTE

Então, espero ter deixado claro o que penso: não quero amizade com essa gente. Não se trata de romper amizades por política. A política não tem nada a ver com isso. Eles, e quem os defende, não são políticos, são gente sem caráter, canalhas, imbecis. A política é outra coisa. Tenho enormes divergências e críticas a quem é de direita. Mas é um direito que todos temos, de abraçar visões diferentes do mundo e da organização social humana. O que não temos direito, é de ser contra a civilização, a humanidade, defender o ódio, a tortura, a morte e a escravidão (física ou moral). Esses não fazem isso porque tenham alguma posição “política”, fazem porque não são gente, não merecem atenção e devem ser retirados do convívio social. Dar-lhes a oportunidade de se manifestar ou, pior, a oportunidade de concorrer a cargos públicos, como ocorreu no Brasil, é sintoma de instituições adoecidas, enfraquecidas e dominadas por gente doente e fraca.

Pra terminar: sempre que algum imbecil vier com a história de “ain, mas educação é uma palavra ideologizada”, podem ter certeza: ele/ela quer impor sua ideologia, eliminando o pensamento e as ideias que teme, porque sabe que não pode contestar racionalmente. Resta-lhes o garrote vil, a câmara de gás e o paredão. Fora a força bruta, a tortura, a censura e as prisões, não conseguirão se impor, porque ninguém, em sã consciência, quer ser aliar a vermes sem caráter.


Imagens colhidas no pixabay.com

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Cesar Valente Escrito por:

Jornalista e designer gráfico catarinense, manezinho, sessentão. Ex uma porção de coisas, mas sempre inventando moda.

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